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Archive for the ‘Literatura’ Category

Ler poesia com alunos do ensino fundamental e ensino médio é uma atividade que nem sempre flui de forma natural como consequência das aulas de Literatura. Para auxiliar o trabalho do professor de Português é que selecionei o texto abaixo de Ítalo Moriconi.

A palavra poesia apresenta certa flutuação de sentidos. Para alguns, soa ameaçadora, sugerindo ou lembrando exercícios difíceis dos tempos de escola. No universo literário, é tida como a mais refinada as paixões. Em princípio, imagina-se que poetas, assim como leitores de poesia, sejam indivíduos singulares, atacados por uma espécie de mania, dizem que hoje rara e inatual: a mania de ler literatura, mania de cultivar as letras. Cultivar as letras é querer saber das coisas, é cultivar o intelecto, a força de entendimento. A quem deseja enveredar por esse caminho, recomenda-se: leia os bons romances, descubra os filósofos sérios, aprenda a amar poesia. Na cama, na rede. Na poltrona, na mesa de trabalho. Sempre foi assim. É como nasce a tribo dos letrados.

Os romances nos permitem viajar sem sair de onde estamos. Não apenas a lugares estranhos, próximos ou distantes. Mas viajar pelo outro, por nós mesmos, da maneira intensa e interiorizada que só o texto escrito pode oferecer. A filosofia é ginástica para o cérebro: nos ensina a pensar, quase por osmose. Ensina a indagar sobre o real significado das palavras. Entender parágrafos dos filósofos importantes é habilitar-se a entender qualquer outro tipo de parágrafo. Entender não apenas a informação que o parágrafo contém, mas o conceito que o sustenta.

Para a tribo dos leitores, a poesia traz sobretudo promessa de prazer. É gostoso ler poesia. Para alguns, é até mais gostoso que ler romance. Por certo, é mais gostoso que filosofia. Poesia respira, joga com pausas, alterna silêncios e frases ( os versos). Poesia é bonito na página, é festa tipográfica. Festa para os olhos. Ritmo visual que vira sonoro, quando lemos o poema em voz alta. Imaginação e sabedoria combinadas numa certa vertigem, a velocidade das estrofes. Linguagem concentrada que, no entanto, pode distender-se estender-se. Todos os cinco sentidos traduzidos, pôr meio da palavra, em coisa mental. Coisa mental que se pode comunicar pela fala, guardar na página ou na memória, que nem talismã.

Toda linguagem tem seu quê de poesia. Mas a poesia é onde o “quê” da linguagem está maisem pauta. Apoesia brinca com a linguagem. Chama atenção para possibilidades de sentido. Explora significativamente coincidências sonoras entre palavras. Fabrica identidades por analogia, através de imagens ou metáforas: mulher é flor, rapaz é rocha, amor é tocha. Nuvem é pluma. Pedra é sono.

Ocorre que a palavra poesia abrange sentidos que vão além da linguagem verbal, oral ou escrita. Ela também se refere a um universo muito mais amplo e menos exclusivo ou especializado que o do livro e da leitura. É o lado aquém-livro da poesia. Que tem a ver com o universo da cultura, tem a ver com o ar que nos envolve. Um filme pode ter poesia. Um gesto, comum ou excepcional, pode ter poesia. A poesia está no ar. A poesia é popular. Se mulher é flor, a poesia está na boca do povo, vem da boca do povo. Espera-se que a poesia enquanto arte específica das palavras de algum modo revele ou esteja articulada com essa poesia além-livro, essa poesia da vida.

Aliás, a poesia da vida pode ser bem rude. Nem sempre, ou quase nunca, confunde-se com romantismos, delicadezas, águas-de-cheiro. Descobrir a poesia da vida tem mais a ver com o realismo que com idealismos de Polyanna. Brutalidade jardim. Por outro lado, aquilo que consideramos “m poéticos” na vida está menos na própria vida que nas convenções de linguagem, de pensamento e sentimentos que nos regem enquanto seres sociais. A realidade, tal como a conhecemos, é produto dinâmico da linguagem humana e não vice-versa. Este é um princípio filosófico fundamental na civilização moderna.

O mundo é um ato de criação poética. Nós todos o herdamos, compartilhamos, interferindo nesse ato. Só percebemos a existência daquilo que nomeamos. Interferimos mesmo que não queiramos. Interferimos em qualquer perspectiva. Seja como religiosos ou místicos, devotos de um ou de muitos deuses. Seja como céticos, devotos da ciência, conformados ao fato de estarmos limitados ao apenas humano, demasiadamente humano.

O poema, ao ser lido sobre a página, ou ouvido com atenção, aproxima o leitor do poeta. Todo leitor ou leitora de poesia é um pouco poeta também, mesmo que não profissional. O ato criador do poema sobre a linguagem evoca a criação poética do mundo implícita na própria existência dela, linguagem, que é de todos. Por isso a leitura do poema ativa o poeta que somos, o criador ou a criadora que somos, nesse sentido amplo da palavra. Daí por que a poesia pode tanto para ser decorada. Mesmo no caso de poemas mais longos, somos levados a memorizar os trechos que mais amamos. Quando o poeta e a poeta profissionais escrevem um poema, sonham em transformá-lo em parte integrante da intimidade psíquica de seus leitores. Como disse o poeta anglo-americano T. S. Eliot, a leitura é em si uma experiência de vida. Somos feitos daquilo que vivemos e daquilo que lemos.

(…)

Texto retirado do livro – Como e por que ler a poesia brasileira do século XX.

MORICONI, Ítalo. Como e por que ler a poesia brasileira do século XX. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002
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Reportagem da Rede Globo sobre o impacto das novas gerações no mercado de trabalho. Leia também

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Estou utilizando mais uma ferramenta da Web – o weebly. Meu endereço é: http://zellacoracao.weebly.com/index.html. Neste endereço coloquei os links para as principais ferramentas da web 2.0 que faço uso.

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Texto retirado do site: http://www.novomilenio.inf.br/santos/bonded.htm
Este curioso texto foi redigido por um dos maiores escritores brasileiros, Machado de Assis, e segue reproduzido na ortografia original, como aparece na enciclopédia Nosso Século (Editora Abril Cultural, S.Paulo, 1980, vol. I):

Ocorreu-me compôr umas certas regras para uso dos que frequentam os bonds.

O desenvolvimento que tem tido entre nós este meio de locomoção, essencialmente democratico, exige que elle não seja deixado ao puro capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do que alguns extractos do meu traalho; basta saber que tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez.

Art. I – Dos Encatarrhoados – Os encatarrhoados podem entrar nos bonds, com a condição de não tossirem mais de trez vezes dentro de uma hora, e no caso de pigarro, quatro.

Quando a tosse for tão teimosa que não permita esta limitação, os encatarrhoados têem dous alvitres: – ou irem a pé, que é bom exercicio, ou metterem-se na cama. Também podem ir tossir para o diabo que os carregue.

Os encatarrhoados que estiverem nas extremidades dos bancos devem escarrar para o lado da rua, em vez de o fazerem no proprio bond, salvo caso de aposta, preceito religioso ou maçonico, vocação etc., etc.

Art. II – Da Posição Das Pernas – As pernas devem trazer-se de modo que não constranjam os passageiros do mesmo banco. Não se prohibem formalmente as pernas abertas, mas com a condição de pagar os outros lugares, e fazel-os occupar por meninas pobres ou viuvas desvalidas mediante uma pequena gratificação.

Art. III – Da Leitura Dos Jornaes – Cada vez que um passageiro abrir a folha que estiver lendo, terá o cuidado de não roçar as ventas dos vizinhos, nem levar-lhes os chapéos; também não é bonito encostal-o no passageiro da frente.

Art. IV – Dos Quebra-Queixos – É permitido o uso dos quebra-queixos em duas circumstancias: – a primeira quando não for ninguem no bond, e a segunda ao descer.

Art. V – Dos Amoladores – Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negocios intimos, sem interesse para ninguem, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidencia, se elle é assaz christão e resignado. No caso affirmativo, perguntar-lhe-ha se prefere a narração ou uma descarga de ponta-pés; a pessoa deve immediatamente pespegal-os.

No caso, aliás extraordinario e quasi absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazel-a minuciosamente, carregando muito nas circumstancias mais triviaes, repetindo os dictos, pisando e repisando as cousas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.

Art. VI – Dos Perdigotos – Reserva-se o banco da frente para a emissão dos perdigotos, salvo as occasiões em que a chuva obriga a mudar a posição do banco. Tambem podem emittir-se na plataforma de traz, indo o passageiro ao pé do conductor, e a cara voltada para a rua.

Art. VII – Das Conversas – Quando duas pessoas, sentadas a distancia, quizerem dizer alguma cousa em voz alta, terão cuidado de não gastar mais de quinze ou vinte palavras, e, em todo o caso, sem allusões maliciosas, principalmente se houver senhoras.

Art. VIII – Das Pessoas Com Morrinha – As pessoas que tiverem morrinha podem participar dos bonds indirectamente: ficando na calçada, e vendo-os passar de um lado para outro. Será melhor que morem em rua por onde elles passem, porque então podem vel-os mesmo da janella.

Art. IX – Da Passagem Às Senhoras – Quando alguma senhora entrar, deve o passageiro da ponta levantar-se e dar passagem, não só porque é incommodo para elle ficar sentado, apertando as pernas, como porque é uma grande má criação.

Art. X – Do Pagamento – Quando o passageiro estiver ao pé de um conhecido, e, ao vir o conductor receber as passagens, notar que o conhecido procura o dinheiro com certa vagareza ou difficuldade, deve immediatamente pagar por elle: é evidente que, se elle quizesse pagar, teria tirado o dinheiro mais depressa.

LEIA TAMBÉM:
http://www.overmundo.com.br/overblog/veja-ilustre-passageiro-a-historia-do-bonde

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Um bom exemplo de uma situação didática com o uso de tecnologia é a linha do tempo ou ‘timeline’. É um modo fácil de trabalhar a vida e obra de um escritor. Desenvolvi um ‘timeline’ do escritor Mário Quintana usando o site: http://www.dipity.com/

Temos a opção de criar a linha do tempo e organizá-la por listagem, em formato de livro e ainda conforme o assunto a ser trabalhado pode ser um mapa. Pode ser usado em pesquisas sobre a vida e obra de um escritor ou contextualizar um período literário, em que certos dados históricos são importantes saber.  O interessante é que também dá para incorporar em sites e blogs. Conheça:  http://www.dipity.com/zellacoracao/Mario-Quintana

timeline_mq

http://www.dipity.com/zellacoracao/Mario-Quintana

Conheça também: Quintana Eterno

BlogBlogs.Com.Br

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Hello world!

Olá! Hoje estou iniciando mais um blog e este tem a finalidade de arquivar, documentar e compartilhar materiais referentes à Língua e Literatura, minha área de formação.

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