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O que é variação linguística? Como se dá? Quais são as suas características?

A variação linguística resulta da dinamicidade da língua, já que esta é viva e passível de transformações por razões geográficas, sociais e históricas.

As diversidades linguísticas não são resultado de “preguiça, falta de cultura ou ignorância”. Cada tipo de variedade é proveniente das particularidades das experiências históricas da comunidade falante, ou seja, como foi constituído, como está organizado socialmente e assim por diante.

A compreensão da variação linguística, dentro desta perspectiva, é entendê-la com as suas diferentes experiências históricas e superar o preconceito linguístico que se instaura na sociedade.

Sendo também uma característica universal das línguas naturais, a variedade linguística está marcada por variáveis linguísticas e não-linguísticas. As primeiras são consequências das constantes mudanças que a língua sofre, sendo definida como duas maneiras diferentes de dizer a mesma coisa.

O vocábulo usado pelas pessoas pode caracterizá-las segundo sua faixa etária, espaço geográfico que ocupa, sexo, intenção, nível de escolaridade, classe social, entre outros. Dessa forma, vemos que por intermédio da linguagem denunciamos quem somos.

O problema está em distinguir entre variável linguística e social, uma vez que elas interagem, não podendo ser analisadas isoladamente. Refletindo  nas pesquisas realizadas por Labov, constata-se que determinadas comunidades linguísticas usavam certas variações linguísticas para demarcar território; outras, para distinguir a classe social em que a incidência diferenciava-se das classes sociais menos favorecidas. Sendo assim, a linguagem por ser uma fator social e cultural, torna-se espelho da comunidade linguística a que está ligada.

Outro fator a se considerar é que, um falante que domina a língua padrão – vista como aquela que possui maior prestígio social – em determinados momentos pode-se empregar a linguagem não padrão a fim de se aproximar de uma comunidade linguística que lhe desperta particular interesse. Logo, a variedade linguística que usamos frequentemente, nas mais diversas situações da vida, é fator de influência no comportamento social do indivíduo.

Além disso, vale lembrar que, a variedade linguística não padrão existente em nossa sociedade não é valorizada pela comunidade escolar. O aluno que não domina a norma padrão culta, aquela valorizada socialmente, é visto como um transgressor da norma gramatical, inculto e desatento, uma vez que a linguagem que ele domina não é valorizada socialmente.

O que precisa ser levado em conta é que, a língua padrão, é só uma das variedades da língua, nem melhor e nem pior, do ponto de vista linguístico, sendo apenas uma variedade. Dessa forma, excluir as demais variedades do ensino de língua, é perpetuar o preconceito linguístico.

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