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Aparelhos como o iPad da Apple, que chega às lojas este mês, e o Kindle, o leitor eletrônico da Amazon, estão reinventando o modo como lemos, ao transformar o papel em bits. Isso significa que livros, jornais e revistas vão acabar? Vão mudar? Ou ambos? Ainda não há respostas definitivas para essas questões. Mas a indústria já começa a aproveitar a metamorfose tecnológica gerada pelos e-readers e tudo indica que novas oportunidades de negócios surgirão

Por Carlos Rydlewski

Aparelhos como o iPad da Apple, que chega às lojas este mês, e o Kindle, o leitor eletrônico da Amazon, estão reinventando o modo como lemos, ao transformar o papel em bits. Isso significa que livros, jornais e revistas vão acabar? Vão mudar? Ou ambos? Ainda não há respostas definitivas para essas questões. Mas a indústria já começa a aproveitar a metamorfose tecnológica gerada pelos e-readers e tudo indica que novas oportunidades de negócios surgirão. Eis, aqui, a história da revolução da mídia na visão de Jeff Bezos, Roberto Irineu Marinho, Paulo Coelho, Roberto Civita, Luiz Schwarcz, Otavio Frias Filho, Ruy Mesquita…

Estamos no ano 2050, na metade do século 21. Com surpresa, um grupo de crianças numa escola escuta o seguinte relato. No passado, descreve o professor,os homens usavam extensas porções de terra para plantar florestas. Após sete anos – mas esse prazo poderia ser três ou quatro vezes maior –, a mata nesses locais eraderrubada e suas toras, transportadas por centenas de caminhões até grandes usinas. Ali, produzia-se um artigo chamado papel. Disposto em bobinas, esse produto atravessava o mundo em porões de navios. A viagem só terminava em amplos parques gráficos, onde, embebido em toneladas de tinta, era usado para a produção de jornais, revistas e livros. Essas publicações também passeavam bastante. Impressas, embarcavam em aviões, caminhões, peruas, bicicletas ou mesmo em sacolas até a porta da casa dos consumidores. E um detalhe: no caso dos jornais, toda essa imensa engrenagem era movida para a divulgação de notícias do dia anterior. Era como continuar a erguer um palácio, mesmo enquanto o rei era deposto. No dia seguinte, tudo recomeçava.

De volta ao presente. Não é preciso esperar quase meio século, ou ser um integrante da geração “Y²” (um nativo digital do futuro), para se espantar com a descrição desse processo produtivo. Mas o mundo exposto no parágrafo anterior está entrando em estado de ebulição – ainda que sua percepção seja incipiente. Vivemos, hoje, no limiar de uma era pós-Gutenberg. Toda a tradicional estrutura do que se convencionou chamar de “mídia impressa” tem sido avidamente subvertida pelos novos meios de produção da era digital. O que era feito em átomos passa a ser executado – e transportado – em bits, a menor unidade de informação que habita um computador. Essa mudança é o tema central desta reportagem, não somente por seu interesse intrínseco, mas, principalmente, pelos desafios e pelas novas oportunidades de negócio que já começa a engendrar. Então, vejamos.

Prosperidade é um bom termo para definir o ritmo da venda de
e-readers. Em 2010, pelo menos 5 milhões de aparelhos
desse tipo devem ser comercializados
CAPÍTULO 1
O CATALISADOR

Até aqui, uma inovação tem atuado como o principal catalisador da metamorfose átomos-bits na mídia. Ela responde pelo nome de Kindle (termo que significa aceso ou iluminado, no sentido de inspirador). Trata-se do leitor eletrônico de livros, cuja primeira versão foi lançada em 2007 pela Amazon, a gigante global do comércio online, com faturamento de US$ 24,3 bilhões por ano, quase três vezes mais que o principal concorrente, o eBay, com receita anual de US$ 8,4 bilhões. Esse tipo de produto também é chamado de e-reader e o Kindle não foi o primeiro a chegar às lojas. No fim dos anos 90, na pré-história do setor, surgiram versões conceitualmente similares, como os pioneiros SoftBook, criado por uma empresa com o mesmo nome situada em Menlo Park, e o Rocket eBook, da NuvoMedia, de Palo Alto, ambas companhias californianas. Mas nenhum prosperou. Eram tecnologicamente precários, pesavam mais de 1 quilo e se conectavam de forma rudimentar a bancos de dados chinfrins, com pouquíssimas opções de títulos.

O e-reader da Amazon é o oposto disso. Leve (292 gramas), fácil de usar, com capacidade para armazenar 1,5 mil livros, conecta-se à internet por rede sem fio de terceira geração (3G), também usada por celulares. Conta com um acervo de mais de 420 mil livros nos Estados Unidos. No Brasil, são 360 mil. Com tais predicados, o Kindle tornou agradável, prática e estimulante a leitura de livros, jornais e revistas em qualquer lugar, a qualquer hora. Desbravou, assim, um novo filão de negócios. Diz James McQuivey, principal analista da consultoria americana Forrester Research: “Nossos dados indicam que 3% da população americana lê livros em computadores portáteis, como notebooks. Em contrapartida, por enquanto, somente 1% utiliza e-readers. Mas entre esses dois grupos há uma diferença crucial. Quem usa o laptop, lê pouco e não paga nada pelo conteúdo. Apenas o baixa na internet. Quem tem o leitor eletrônico, lê em média dois livros digitais por mês e sempre paga por isso”. Traduzindo: o segundo grupo realmente constrói um negócio. E ele está sendo erguido velozmente. “Lançamos o Kindle há apenas 27 meses, e têm sido 27 meses muito instigantes”, afirmou Jeff Bezos, presidente da Amazon, a Época NEGÓCIOS.

A Amazon não divulga números sobre as vendas do aparelho, mas ele domina amplamente o mercado de e-readers, com pelo menos 60% de participação. Em segundo lugar vêm os três dispositivos da Sony (chamados Pocket, Daily e Touch Edition), com 30%. Estima-se que o Kindle tenha vendido 3 milhões de unidades, 500 mil delas fora dos Estados Unidos. Em 2010, deve emplacar mais 5 milhões de unidades. Mais um fato: o Kindle foi o aparelho mais vendido no Natal, entre os milhões de artigos oferecidos pela Amazon, com sede (física) em Seattle. Mark Mahaney, analista do Citigroup, calcula que em 2008 a comercialização do Kindle representou 0,6% do faturamento da empresa. Em 2010, tal percentual pode saltar para 4%.

A venda de livros eletrônicos, conhecidos como e-books, também prospera. Tome-se, novamente, o exemplo da Amazon. No fim de 2009, pela primeira vez, a empresa vendeu mais títulos em bits do que em átomos. “Foi um feito notável”, comemorou, então, Jeff Bezos. Segundo Edward McCoyd, diretor de políticas digitais da Associação Americana de Editores (AAP, na sigla em inglês), a venda de livros digitais somava US$ 20 milhões em 2003. Alcançou quase US$ 350 milhões no ano passado. “Acreditamos que a publicidade em torno do lançamento das três versões do Kindle tenha sido o principal fator para esse crescimento”, diz. Hoje, acrescenta McCoyd, os e-books ainda representam uma fatia pequena do mercado americano de livros, que movimenta US$ 24 bilhões por ano. Abrange entre 1% e 2% do total. Mas suas vendas avançam a uma taxa de três dígitos ao ano.

CAPÍTULO 2

UM CONCORRENTE DE PESO

É possível, porém, que o empurrão dado até agora pelo Kindle na digitalização da mídia tenha sido somente um suave sopro. Isso porque, no fim de março, a Apple planeja iniciar as vendas do iPad, o finíssimo computador portátil da marca, com 1,3 centímetros de espessura, apresentado em janeiro por Steve Jobs. O equipamento é tecnicamente definido como tablet. Funciona como uma prancheta eletrônica. Nas últimas semanas, foi severamente criticado por especialistas e blogueiros pelo que não tem (câmera, entrada USB…) e tachado como um “iPhone sob o efeito de anabolizantes”. Mas pouca atenção foi dada ao que tem.

Ele tem, por exemplo, o potencial de unificar usos – e conteúdos – num só dispositivo. O Kindle é um especialista. Lê textos. O iPad é um generalista. Faz tudo. O tablet da Apple reproduz o que se chama de conteúdos multimídia, que combina sons, imagens (vídeos ou fotos) e textos. Tal característica o torna especialmente atraente para alimentar a interação do usuário com qualquer tipo de mensagem, o que inclui peças de publicidade.

(…)

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI126270-16380,00-ESCRITO+EM+BITS+TRECHO.html

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O nascimento da Escrita

Resumo escrito por:PitangaAzul
O Nascimento da Escrita
A escrita ideográfica era no início puramente pictográfico, evoluindo ao longo o tempo para uma combinação de desenhos. O signo determinativo acompanhava uma imagem mostrava ao leitor o contexto de sua leitura. Assim, a escrita começa a se afastar cada vez mais das representações analógicas dos objetos, talvez essa separação deva ser relacionada à recusa de representar Deus pela imagem no judaísmo e no islã.
O alfabeto teve seu início na Fenícia, mas se limitava as consoantes, o que causava ambigüidade na leitura. Somente na Grécia as vogais serão incorporadas ao alfabeto o que foi produto das transformações que conduziram à forma moderna da organização em cidades e os valores da democracia ateniense.
O signo escrito surgiu da necessidade “econômica” e continuou se aperfeiçoando em virtude destas necessidades. O poder político-econômico das grandes potências consolidou sua maneira de escrita (Grécia  e Roma).
A escrita foi utilizada no início como técnica de comunicação, modificando os modos de circulação e de informações e por outro lado, o monopólio do poder , transformando as condições do exercício da autoridade e os grandes equilíbrios sociais. O que se torna contraditório já que a escrita tem a função de informar e divulgar idéias, opondo-se ao monopólio exercido pelos escribas que restringem essa retratação da mesma via de comunicação tornando sua expansão social lenta e secundária em uma sociedade dominantemente oral.
A escrita nem sempre foi por natureza uma técnica de comunicação e o curso que seguiu dependeu muito do contexto social que a orientou. Mesmo com o alfabeto grego a escrita continuou sendo privilégio de poucos e a linguagem oral continuou exercendo mais poder e persuasão que a escrita.
A retórica surgiu na Sicília, como uma reflexão sobre o discurso com a finalidade de convencer e como técnica de persuasão, nasceu para defender bens e daí começou a se refletir sobre a linguagem. Corax e Tisias foram mestres da retórica que foi fruto de um contexto de revolução social, algo que excluísse o uso da força. A retórica se constitui a base de toda exposição refletida dos argumentos. Difundiu-se rapidamente e um dos fatores foi a exigência da justiça grega de que os requerentes se defendesse pessoalmente, o que a tornou “tecnicista”; para Sócrates e Platão a retórica não era uma arte e sim apenas um empirismo. Já Aristóteles defendia um novo modo de retórica, a que auxiliava a palavra liberta de uma relação com a moral e a verdade, assim ele criou uma nova arte, a de falar em público, que só foi desenvolvida com a República romana. Foi em Roma que a oratória tornou-se uma necessidade cotidiana, conseguindo substituir a força bruta por uma política institucional de comunicação social.
A retórica acabou por se incorporar a cultura geral, dessa forma o livro começou a ser suporte de comunicação que só se desenvolveu plenamente com o Renascimento. Graças as técnicas da imprensa pode haver a expansão dos livros que expandiram as idéias humanistas, foi esse movimento intelectual que transformou o livro e deu lhe uma nova função de comunicação, já que na Idade Média era utilizado para a conservação dos textos.
A invenção da prensa só foi possível por causa dos avanços técnicos alcançados ela metalurgia e pela substituição do pergaminho pelo papel , além de tudo foi necessário para o seu grande desenvolvimento as condições favoráveis como existiam na Europa no século XV. O Renascimento fez do livro uma ferramenta eficiente de comunicação e também uma ferramenta que pode ser um objeto comercial muito rentável.
Mas o Renascimento não passou da redescoberta da cultura latina e dos processos materiais, especialmente das técnicas de comunicação. O desenvolvimento das cidades possibilitou a circulação do livro que tinha um caráter duplo de material e objeto portátil (fonte de lucro), além de difusor de idéias inovadoras para uma sociedade urbana em desenvolvimento,
O livrorepercutiu nos métodos de memorização que eram muito utilizados na Idade Média pela Igreja. Não foi apenas o livro que fez as técnicas de memorização desaparecerem, o próprio Renascimento não tinha essa necessidade e o livro estava ali para guardar os traços provisórios das produções escritas.
Com o tempo a alfabetização passou a ser indispensável, tanto na reforma (para se ter consciência dos erros que a Igreja Católica cometia em relação as escrituras sagradas), na Contra-Reforma (para persuasão para a educação e propaganda religiosa), na Revolução Francesa (para poder definir espaço privado e espaço público).
No século XIX, a comunicação social organizou-se em torno da mensagem e de sua circulação, tal como o jornal como suporte essencial de uma informação cujo valor estava atrelado a sua capacidade de circulação.
No século XX, tomou-se consciência de que a comunicação podia depender de uma técnica, passou a ser usada para construir mensagens como imagem de ideais.
O nascimento da Escrita Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/social-sciences/1696349-nascimento-da-escrita/

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Vou reproduzir aqui um texto da Professora Doutora Josenia Antunes Vieira, da Universidade de Brasília. Ela aborda  um assunto importante para professores e alunos: o nosso sedentarismo para escrever.

O sedentarismo toma  conta de nosso dia-a-dia e, cada vez temos menos tempo para o entretenimento e o lazer. O trabalho nos consome e não há tempo para a leitura daquele romance novo publicado recentemente… Mas, como tudo na vida, o interesse e o valor que atribuímos à determinada área abrem o espaço necessário para esta ou aquela atividade.

Para acelerarmos a nossa produção intelectual, aderimos ao uso das novas máquinas, e, quanto mais tecnologias agregamos às atividades diárias, menos tempo nos sobra, o que cria um paradoxo. Assim ocorre também com a nossa escrita. Não escrevemos cartões de Natal, não enviamos cartões de felicitações de aniversários, não escrevemos cartas para familiares e amigos…, e alegamos absoluta falta de tempo.

Na verdade, não é o tempo que nos falta, mas a vontade de escrever. Muitos até dizem que detestam ou que odeiam a escrita. No passado, escrevíamos mais, gastávamos mais tempo com as práticas de escrita. Bem, nem tudo tinham os antigos, nem tudo têm os mais modernos, mas com os haveres de uns e de outros é que nos enriquecemos mutuamente.

Nesse inventário, constatamos que a prática de escrita foi esquecida ou  quase abandonada. A maioria das pessoas não escreve nem lista de compras de supermercado. O que é um mal. Como resultado, se me permitem a metáfora, o sedentarismo instala-se na escrita.

E o texto escrito como fica? Poucos escrevem, outros escrevem pouco. Mas, como escrever requer prática, a quilometragem rodada de caneta é que conta. Quem nada escreve, tem dificuldade contínua. Não há curso de redação que dê conta dos sedentários de escrita. É como malhar, os músculos têm de estar ativados continuamente. Quem nunca escreve, cada vez terá mais dificuldade para escrever em qualquer gênero de escrita.

Entendemos que o mundo mudou, coloriu-se. Está povoado de imagens. Então, para que servem os textos escritos, as crônicas, as novelas, as poesias, os romances? Coisas do passado, ultrapassadas. Gente moderna não precisa escrever. Usa o telefone e… Além do mais, no mundo dos grandes mercados financeiros, só tem valor o que vale  como moeda de troca.

Entretanto, para aqueles que acreditam que bons textos não rendem nada, gostaria de dizer que textos bem escritos rendem bem mais do que dinheiro, rendem poder. É isso mesmo, escrever bem é fonte de prestígio. Quem escreve bem atesta imediatamente a sua elevada capacidade de pensamento, pois escrever é bem mais do que um mero exercício motor.

Quando escrevemos, revelamos por inteiro a nossa capacidade de organização mental, além de nossas crenças e convicções. Decerto, bons textos não servem como moeda para comprar carrros, jóias, casas, roupas caras, entretanto servem para a aprovação em concursos de alto nível, além de propiciar bons empregos que certamente proporcionarão excelentes fontes de renda.

Por fim, acresce dizer que escrever bem é uma excelente carta de apresentação, mas o contrário também. Um texto mal escrito, com graves erros, depõe duramente contra o seu produtor, concedendo-lhe a classificação sumária de despreparado e incompetente. Se você não quer tomar parte deste grupo, saia do sendentarismo, escreva!

Josenia Antunes Vieira – doutora em Linguística, professora da Universidade de Brasília.
Folha Universal, 25 de junho de 2006.

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