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Posts Tagged ‘Língua’

Estamos hoje bastante conscientes de que não há uma única forma de conceber a linguagem. Igualmente estamos bastante conscientes do fato de que o ensino de Língua Portuguesa terá diferentes configurações dependendo da concepção que temos da linguagem.

Entre nós, as concepções mais tradicionais tendem a reduzir a linguagem ora a um conjunto de regras (a uma gramática); ora a um monumento (a um conjunto de expressões ditas corretas); ora a um mero instrumento de comunicação e expressão (a uma ferramenta bem-acabada que os falantes usam em certas circunstâncias).

Podemos observar que todas essas concepções têm algo em comum: elas entendem a linguagem, como uma realidade em si (um sistema gramatical, um monumento, um instrumento); como se ela tivesse vida própria, despregada de seus falantes, da dinâmica das relações sociais, dos movimentos da história.

Nossa concepção recusa esses olhares que alienam a linguagem de sua realidade social concreta. Nós a concebemos como um conjunto aberto e múltiplo de práticas sociointeracionais, orais ou escritas, desenvolvidas por sujeitos historicamente situados.

Pensar a linguagem desse modo é perceber que ela não existe em si, mas só existe efetivamente no contexto das relações sociais: ela é elemento constitutivo dessas múltiplas relações e nelas se constitui continuamente.

Por outro lado, os próprios falantes tomam conta como sujeitos históricos e como realidades psíquicas em meio a essa intrincada rede de relações socioverbais e pala interiorização da própria dinâmica da interação socioverbal.

Somo, nesse sentido, seres de linguagem, constituídos e vivendo num complexo feixe de relações socioverbais. De forma alguma, podemos ser compreendidos como meros aplicadores de regras de um sistema gramatical; ou como meros reprodutores de um certo monumento linguístico cristalizado; ou, ainda, como meros usuários de um instrumento externo a nós.

Desse modo, ensinar português é, fundamentalmente, oferecer aos /às alunos/as a oportunidade de amadurecer e ampliar o domínio que eles/elas já têm das práticas de linguagem. Em língua materna, a escola, obviamente, nunca parte do zero: os/as alunos/as têm uma experiência acumulada de práticas de fala e de escrita. Cabe-nos, no entanto, criar condições para que esse domínio dê um salto de qualidade, tornando-se mais maduro e mais amplo.

fonte: Português: língua e cultura – Carlos Alberto Faraco, 2005

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Um especial da Revista Nova Escola aborda o tema “Produção de Texto”. Contém dicas de leitura, links , vídeos e planos de aula, vale a pena ver!

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PRECONCEITO LINGUÍSTICO

Existe um antigo “mito” que persiste na mentalidade das pessoas de que temos o português certo e o português errado, subdividindo os falantes em dois grupos: os que sabem a língua portuguesa e os que não sabem.
De acordo com Marcos Bagno, autor de vários livros e linguista, todo esse preconceito é resultado da má qualidade e da ineficiência do ensino de língua portuguesa nas escolas. Ele diz que, “o ensino da língua parece ter como objetivo a formação de professores de português, já que visa o ensino da gramática normativa, em vez de formar o aluno como usuário competente da língua”. Para ele, “erro de português” não existe.
Um dos livros de Marcos Bagno. é “Preconceito Lingüístico – o que é, como se faz”, um livro que todo professor de português deve ler e ter. Este livro deu início às mudanças mais significativas que fiz em minha prática pedagógica. Durante a leitura pude verificar que eu também tinha alguns “preconceitos linguísticos” e  pior, transmitia esses preconceitos aos meu alunos. Depois, comecei a perceber que o ensino da língua poderia ser mais leve, sem o fardo da gramática normativa.

Segundo Bagno, “erro de português” não existe, e o preconceito na verdade, é social, disfarçado em preconceito linguístico. Ele aponta oito fatores que compõem o preconceito linguísitico. São eles:

  • Mito nº 1 – “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”.
  • Mito nº 2 – “Brasileiro não sabe português / Só em Portugal se fala bem português”.
  • Mito nº 3 – “Português é muito difícil”.
  • Mito nº 4 – “As pessoas sem instrução falam tudo errado”.
  • Mito nº 5 – “O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão”.
  • Mito nº 6 – “O certo é falar assim porque se escreve assim”.
  • Mito nº 7 – “É preciso saber gramática para falar e escrever bem”.
  • Mito nº 8 – “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social”.

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