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Posts Tagged ‘linguagem’

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A Análise do Discurso (AD) compõe uma das três disciplinas que estuda a significação da linguagem. Enquanto a Linguística estuda a língua em si –  como um objeto autônomo, recortável  e com o enunciador afastado – a  AD trabalha com a inclusão do sujeito histórico, aquele que carrega uma memória discursiva, com significação que está aquém e além do enunciado produzido pelo sujeito. Pode-se dizer que é uma disciplina da interpretação, que estuda a significação e sua relação com a exterioridade histórico-social (ideológicas e do inconsciente).

Para a AD no processo de interpretação participam a estrutura, a intenção e a discursividade – com a finalidade de buscar o “não dito que faz o dito significar”, constituindo assim, efeitos de sentido. Em AD a palavra (elemento linguístico) não tem valor em si, mas da relação de oposição que se estabelece entre as palavras, uma vez que nosso discurso é atravessado por relações sociais.

Tendo em vista que a AD adota a perspectiva de que o nosso discurso é atravessado por outros discursos e que, por sua vez, esses não se constituem independentemente uns dos outros, o interdiscurso é o entrecruzamento dos elementos que formam o grande “já dito”, que são determinados pela conjuntura do inconsciente coletivo.

Possuímos uma memória discursiva proveniente do contexto histórico-social em que vivemos. Assim, somos porta-vozes da voz que circula socialmente, as vozes sociais que permitem o enunciado significar.

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Estamos hoje bastante conscientes de que não há uma única forma de conceber a linguagem. Igualmente estamos bastante conscientes do fato de que o ensino de Língua Portuguesa terá diferentes configurações dependendo da concepção que temos da linguagem.

Entre nós, as concepções mais tradicionais tendem a reduzir a linguagem ora a um conjunto de regras (a uma gramática); ora a um monumento (a um conjunto de expressões ditas corretas); ora a um mero instrumento de comunicação e expressão (a uma ferramenta bem-acabada que os falantes usam em certas circunstâncias).

Podemos observar que todas essas concepções têm algo em comum: elas entendem a linguagem, como uma realidade em si (um sistema gramatical, um monumento, um instrumento); como se ela tivesse vida própria, despregada de seus falantes, da dinâmica das relações sociais, dos movimentos da história.

Nossa concepção recusa esses olhares que alienam a linguagem de sua realidade social concreta. Nós a concebemos como um conjunto aberto e múltiplo de práticas sociointeracionais, orais ou escritas, desenvolvidas por sujeitos historicamente situados.

Pensar a linguagem desse modo é perceber que ela não existe em si, mas só existe efetivamente no contexto das relações sociais: ela é elemento constitutivo dessas múltiplas relações e nelas se constitui continuamente.

Por outro lado, os próprios falantes tomam conta como sujeitos históricos e como realidades psíquicas em meio a essa intrincada rede de relações socioverbais e pala interiorização da própria dinâmica da interação socioverbal.

Somo, nesse sentido, seres de linguagem, constituídos e vivendo num complexo feixe de relações socioverbais. De forma alguma, podemos ser compreendidos como meros aplicadores de regras de um sistema gramatical; ou como meros reprodutores de um certo monumento linguístico cristalizado; ou, ainda, como meros usuários de um instrumento externo a nós.

Desse modo, ensinar português é, fundamentalmente, oferecer aos /às alunos/as a oportunidade de amadurecer e ampliar o domínio que eles/elas já têm das práticas de linguagem. Em língua materna, a escola, obviamente, nunca parte do zero: os/as alunos/as têm uma experiência acumulada de práticas de fala e de escrita. Cabe-nos, no entanto, criar condições para que esse domínio dê um salto de qualidade, tornando-se mais maduro e mais amplo.

fonte: Português: língua e cultura – Carlos Alberto Faraco, 2005

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