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Posts Tagged ‘Mário Quintana’

Pensando em uma maneira de se usar o Twitter em sala de aula, criei uma conta no nome do poeta Mário Quintana. Estou postando alguns poemas, colocando dicas de links e blogs sobre a vida e obra do poeta.

Um exemplo do que podemos fazer em sala de aula: divide-se a turma em pequenos  grupos e cada um dos grupos fica responsável em criar um perfil e postar trechos da obra de um escritor. Assim eles conhecem a vida e a obra do escritor usando uma ferramenta que eles gostam.

Twitter: http://twitter.com/quintana_mario

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Um bom exemplo de uma situação didática com o uso de tecnologia é a linha do tempo ou ‘timeline’. É um modo fácil de trabalhar a vida e obra de um escritor. Desenvolvi um ‘timeline’ do escritor Mário Quintana usando o site: http://www.dipity.com/

Temos a opção de criar a linha do tempo e organizá-la por listagem, em formato de livro e ainda conforme o assunto a ser trabalhado pode ser um mapa. Pode ser usado em pesquisas sobre a vida e obra de um escritor ou contextualizar um período literário, em que certos dados históricos são importantes saber.  O interessante é que também dá para incorporar em sites e blogs. Conheça:  http://www.dipity.com/zellacoracao/Mario-Quintana

timeline_mq

http://www.dipity.com/zellacoracao/Mario-Quintana

Conheça também: Quintana Eterno

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O primeiro post do meu novo blog, será um poema de Mário Quintana: “Seiscentos e sessenta e seis”. Mário Quintana é um de meus poetas preferidos. A simplicidade de seus poemas é cativante e sempre revela uma novidade. Eis o poema:

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…

Quando se vê, já é sexta-feira…

Quando se vê, passaram 60 anos!

Agora, é tarde demais para ser reprovado…

E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,

eu nem olhava o relógio

seguia sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca

dourada e inútil das horas.

(In Nariz de vidro.)

marioquintana

ESPAÇO MÁRIO QUINTANA

No espaço Mário Quintana você encontrará poemas desse poeta gaúcho que são verdadeiras jóias. Pra começar vamos conhecer um pouco sobre a vida de Mário Quintana, mas vou deixar que ele mesmo se apresente. O texto abaixo foi escrito pelo próprio poeta para uma entrevista na revista IstoÉ , em 14/11/1984 e posteriormente publicado em seu livro Da preguiça como método de trabalho.

 

Apresentação

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.

Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu…

Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi nada à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma),a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Verissimo – que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras”.

( In Mário Quintana – Márcio Vassalo)

 

 

Em sua infância Mário Quintana recebeu o apelido de “o menino azul”, as suas veias ficavam expostas, pois tinha a pele muito branquinha. Tinha a saúde debilitada. Em seu poema Confessional ele conta:

 

Eu fui um menino por trás de uma vidraça

— um menino de aquário.

Via o mundo passar como numa tela

cinematográfica, mas que repetia sempre as

mesmas cenas, as mesmas personagens.

Tudo tão chato que o desenrolar da rua

acabava me parecendo apenas em preto e

branco, como nos filmes daquele tempo.

O colorido todo se refugiava, então, nas

ilustrações dos meus livros de histórias, com

seus reis hierárquicos e belos como os das cartas de jogar.

E suas filhas nas torres altas — inacessíveis

princesas. Com seus cavalos — uns

verdadeiros príncipes na elegância e na

riqueza dos jaezes.

Seus bravos pagens (eu queria ser um deles…)

Porém, sobrevivi…

E aqui, do lado de fora, neste mundo em que

vivo, como tudo é diferente! Tudo, ó menino

do aquário, é muito diferente do teu sonho…

(Só os cavalos conservam a natural nobreza).

(In A vaca e o hipogrifo).

Durante sua vida literária, Mário Quintana tentou por três vezes entrar na Academia Brasileira de Letras. Em todas as vezes, perdeu a disputa pela vaga. Daí nasceu o seu “Poeminha do Contra”:

Todos estes que aí estão

Atravancando o meu caminho

Eles passarão, eu passarinho.

( In Mário Quintana – Mestres da Literatura)

Quem perdeu foi a Academia Brasileira de Letras!

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Embora não tenha se casado, o poeta nunca ficou sozinho, sempre esteve cercado de bons amigos. Entre eles, o escritor Luis Fernando Verissimo, por quem tinha grande estima. Leia uma declaração feita por Luis Fernando Verissimo:

” O Mário, além de um grande poeta, era um grande humorista. Ele freqüentava bastante a nossa casa e era uma presença quieta e discrita. Minha mãe fazia muitas meias de lã para ele. Tantas que um dia ele observou: ‘Acho que a Mafalda pensa que eu sou uma centopéia’. Uma vez fui levá-lo na casa do Josué Guimarães,e ele teve alguma dificuldade em sair do banco de trás. Disse: ‘Como a gente tem perna, né?’ Era um obcecado por jogo, e na vez em em foi atropelado pediu urgentemente, ainda do chão, que anotassem o número da placa do carro. Era para jogar na loteria. Nos encontramos no Rio, no Hotel Canadá, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. E ele nos contou que o que mais gostava no Rio eram os túneis, porque dentro dos túneis descansava da paisagem.”


 

(In Mário Quintana – Mestres da Literatura)

 

Sua sobrinha e companheira Elena Quintana conta:

Ele não sabia entrar numa cozinha. Nunca nem tentou ligar um liquidificador. Desde que começou a morar sozinho, passou a vida em hotéis, era uma pessoa completamente sem habilidades manuais. Dirigir carro? Nem pensar. Ele tentou uma vez para nunca mais. O Mário disse que os postes vinham correndo em direção a ele. É bem uma coisa de poeta. Tudo corria para ele. E aí o Mário nunca mais tentou dirigir”.

Mário Quintana publicou seu primeiro livro em 1940, A rua dos cataventos. Ele tinha nessa época 34 anos.

A rua dos cataventos

Na minha rua há um menininho doente,

Enquanto os outros partem para a escola,

Junto à janela, sonhadoramente,

Ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente,

Que uma canção napolitana engrola.

E pouco a pouco, gradativamente,

O sofrimento que ele tem se evola…

Mas nesta rua há um operário triste:

Não canta nada na manhã sonora

E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente…

E está compondo este soneto agora,

Pra alminha boa do menino doente…

( In Mário Quintana de Bolso – Rua dos Cataventos& outros Poema)

Da vez primeira em que me assassinaram

Perdi um jeito de sorrir que eu tinha…

Depois, de cada vez que me mataram,

Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou

O mais desnudo, o que não tem mais nada…

Arde um toco de vela, amarelada…

Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!

Ah! Desta mão, avaramente adunca,

Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!

Que a luz, trêmula e triste como um ai,

A luz do morto não se apaga nunca!

( In Mário Quintana de Bolso – Rua dos Cataventos& outros Poema)

Canções

Pequena crônica policial

Jazia no chão, sem vida,

E estava toda pintada!

Nem a morte lhe emprestara

A sua grave beleza…

Com fria curiosidade,

Vinha gente a espiar-lhe a cara,

As fundas marcas da idade,

Das canseiras, da bebida…

Triste da mulher perdida

Que um marinheiro esfaqueara!

Vieram uns homens de branco,

Foi levada ao necrotério.

E quando abriam, na mesa,

O seu corpo sem mistério,

Que linda e alegre menina

Entrou correndo no Céu?!

Lá continuou como era

Antes que o mundo lhe desse

A sua maldita sina:

Sem nada saber da vida,

De vícios ou de perigos,

Sem nada saber de nada…

Com a sua trança comprida,

Os seus sonhos de menina,

Os seus sapatos antigos!

( In Mário Quintana de Bolso – Rua dos Cataventos& outros Poema)

 

 

 

O aprendiz de feiticeiro

O poema

Um poema como um gole dágua bebido no escuro.

Como um pobre animal palpitando ferido.

Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na floresta noturna.

Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição de poema.

Triste.

Solitário.

Único.

Ferido de mortal beleza.

( In Mário Quintana de Bolso – Rua dos Cataventos& outros Poema)

 

 

 

Espelho mágico

 

Da observação

Mário QuintanaNão te irrites, por mais que te fizerem…

Estuda, a frio, coração alheio.

Farás, assim, do mal que eles te querem,

Teu mais amável e sutil recreio…

Do estilo

Fere de leve a frase… E esquece… Nada

Convém que se repita…

Só em linguagem amorosa agrada

A mesma coisa cem mil vezes dita.

Das ilusões

Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.

Com ele ia subindo a ladeira da vida.

E, no entretanto, após cada ilusão perdida…

Que extraordinária sensação de alívio!

Da discrição

Não te abras com teu amigo

Que ele um outro amigo tem.

E o amigo de teu amigo

Possui amigo também…

 

Da experiência

A experiência de nada serve à gente.

É um médico tardio, distraído:

Põe-se a forjar receitas quando o doente

Já está perdido…

 

 

De como perdoar os inimigos

Perdoas… és cristão… bem o compreendo…

E é mais cômodo, em suma.

Não desculpes, porém, coisa nenhuma,

Que eles bem sabem o que estão fazendo…

( In Mário Quintana de Bolso – Rua dos Cataventos& outros Poema)

 

 

 

Bibliografia de Mário Quintana

  • A Rua dos Cataventos.  São Paulo, Globo, 1940.
  • Canções. São Paulo, Globo, 1946.
  • O Batalhão das Letras. São Paulo, 1948.
  • Sapato florido. São Paulo, 1948.
  • O aprendiz de feiticeiro. São Paulo, Globo, 1950.
  • O espelho mágico. São Paulo, Globo, 1951.
  • Caderno H. São Paulo, 1973.
  • Pé de pilão. São Paulo, Ática, 1976.
  • Apontamentos de História Sobrenatural. São Paulo, Globo, 1976.
  • A vaca e o hipogrifo. São Paulo,Globo, 1977.
  • Esconderijos do tempo. São Paulo, Globo, 1980.
  • Mário Quintana: Os melhores poemas. Seleção de Fausto Cunha. São Paulo, Global, 1983.
  • Lili inventa o mundo. São Paulo, Global,1983.
  • Nariz de vidro. Seleção de Mery Weiss. São Paulo, Moderna, 1984 (2° ed. reformulada, 2003).
  • Sapo amarelo. São Paulo, Global, 1984.
  • Nova Antologia Poética. São Paulo, 1985.
  • Baú de espantos. Porto Alegre, Globo, 1986.
  • 80 Anos de poesia (Antologia). Seleção de Tânia Franco Carvalhal. São Paulo, Globo, 1986.
  • Da preguiça como método de trabalho. São Paulo, Globo, 1987.
  • Preparativos de viagem. Antologia pessoal. São Paulo, Globo, 1987.
  • Porta giratória. São Paulo, Globo, 1988.
  • Velório sem defunto. São Paulo, Globo, 1990.
  • Mário Quintana de bolso. Porto Alegre, L &PM Pocket, 1997.
  • Mário Quintana. Poesia completa. Organização: Tânia Franco Carvalhal. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2005.

 


 




 

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